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Com litro a R$ 5,30, Bolsonaro não segura Petrobras e gasolina sobe mais 10% na 4ª alta do ano

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O Jacaré

Com litro a R$ 5,30, Bolsonaro não segura Petrobras e gasolina sobe mais 10% na 4ª alta do ano

Mesmo sem festa, o campo-grandense enfrenta ressaca brava com o novo aumento no preço da gasolina, que pode ser encontrado a R$ 5,30 na Capital. Só que a situação não deve parar por aí. Nesta quinta-feira (18), a Petrobras anunciou reajuste de 10,2% no valor do combustível nas refinarias e o custo final ao consumidor pode superar R$ 5,80 em Campo Grande. No interior, o risco é ultrapassar a barreira de R$ 6.

O aumento reflete a nova política da companhia, adotada desde a posse de Jair Bolsonaro (sem partido), de repassar imediatamente ao consumidor a variação na taxa de câmbio e do preço no mercado internacional. Em entrevista coletiva no início do mês, o presidente afirmou que não vai interferir nos reajustes da Petrobras.

Desde o início do ano, a Petrobras aplicou três reajustes no preço da gasolina. Com o novo aumento, o preço do produto acumulará alta de 34,78% nas refinarias, de R$ 1,84, no final do ano passado, para R$ 2,48. O óleo diesel vai ter aumento ainda maior, de 15%, com o litro custando R$ 2,58.

Segundo a Agência Brasil, a petrolífera explica que o valor da gasolina na refinaria representa 33% do valor pago pelo consumidor final, enquanto o diesel chega a 51%. Até chegar na bomba, o produto sofre acréscimo dos tributos federais e estaduais.

Em Mato Grosso do Sul, a situação ficou mais dramática porque o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), com o apoio de 14 dos 29 deputados estaduais, elevou o ICMS da gasolina de 25% para 30%. Esta nova alíquota fez com que o combustível deixasse de ser um dos mais baratos para um dos mais caros no País.

Na Capital, os postos começaram a repassar ao consumidor na Quarta-Feira de Cinzas o reajuste aplicado na semana passada. Pela primeira vez, a gasolina é vendida acima de R$ 5 na promoção. Postos estão cobrando entre R$ 5,06 a R$ 5,09 no valor à vista, enquanto a prazo, o litro pode custar R$ 5,299.

Em alguns estabelecimentos, o consumidor leva o susto ao parar de frente para a bomba e verificar os novos valores. Esse é o caso de um posto no Centro da Capital, que está com a gasolina na promoção a R$ 5,09. No entanto, cartazes e luminosos destacam o preço do etanol, a R$ 3,59.

No Posto Aloy, na esquina da Avenida Fernando Corrêa da Costa com a Rua 14 de Julho, a gasolina no débito ou dinheiro é comercializada a R$ 4,899. O consumidor enfrenta fila para abastecer, dependendo do horário.

No interior, o preço da gasolina tem sido encontrado acima de R$ 5,50. De acordo com o Midiamax, os moradores de Dois Irmãos do Buriti, a 85 quilômetros da Capital, estão pagando R$ 5,69 pelo litro da gasolina. Em Chapadão do Sul, o preço chega a R$ 5,50.

Em Aparecida do Taboado, os postos estão vendendo a gasolina a R$ 5,67, antes do 4º reajuste. Com o novo aumento aplicado pela Petrobras, os moradores poderão pagar até R$ 6,20 pelo litro do combustível. A mesma situação deve se repetir em Jardim, onde o consumidor está pagando R$ 5,46 e R$ 5,53. Em Camapuã, o produto custa de R$ 5,59 a R$ 5,659.

Em Amambai, a 342 quilômetros da Capital, um consumidor pagou R$ 5,39 na aditivada na sexta-feira. Hoje, o produto custava entre R$ 5,42 e R$ 5,71 no município.

O MBL (Movimento Brasil Livre) quer aproveitar o susto do consumidor para retomar os protestos contra o governador Reinaldo Azambuja. Em 2019, quando houve o aumento, o grupo fracassou em tentar protestar contra o aumento de 20% no tributo sobre o combustível.

Agora, de acordo com o coordenador do movimento, Lucas dos Santos, novo protesto contra o aumento no preço da gasolina está marcado para o dia 12 de março deste ano, a partir das 17h, na Avenida Afonso Pena, em frente ao Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

O movimento Nas Ruas MS apoia a mobilização. A manifestação #reduzReinaldo quer forçar o Governo do Estado a reduzir o ICMS sobre a gasolina de 30% para 20%. Atualmente, MS cobra 30%, a terceira maior alíquota do País, só atrás de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Lucas diz que tem consciência que a culpa não é apenas do tucano, mas a manifestação tem o objetivo de cobrar de Reinaldo para reduzir o ICMS e ter “baque mais imediato na bomba”.

Aline Moura

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