Quarentena x Enclausurados

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Quarentena x Enclausurados

*Carmen lúcia


Sim, estamos vivendo um momento jamais imaginado pelos brasileiros e até pelo mundo todo. Aqui no Brasil não temos terremotos, vulcões, tsunamis. Os nossos desastres naturais que sempre nos deixaram receosos são inundações, vendavais, tornados, granizos e deslizamentos de terra. Guerra? Uma possibilidade mais remota. Mas do dia para a noite surge algo inimaginado, a não ser em filmes de ficção, que se torna realidade, assustadora, implacável, cruel que não escolhe cor, raça, nível social, e ataca todo o planeta terra,
derrubando muitos pré-conceitos, fazendo rever nossos conceitos. Estávamos esquecendo que todos somos humanos, portanto, iguais. Aí surge um vírus que não podemos ver, sentir, identificar e que está tentando derrotar a raça humana, a palavra que vem à cabeça é ¨caos¨.

Ninguém sabe nada, o medo toma conta de todos, pessoas, instituições, governantes, o pânico surge em todas as esferas. É o momento das pessoas se unirem para solidarizarem, ficar perto das pessoas que amam, esperando que algo de bom aconteça para que possam voltar a sua vida ¨normal¨. E a primeira orientação dada pelos profissionais da saúde e governantes que estão na linha de frente
tentando combater esse inimigo invisível, é o isolamento social.

O que fazer? Quero estar perto das pessoas que amo, mas nesse momento tenho que demonstrar o meu amor me afastando deles. Nada mais cruel, para qualquer ser humano, sem contar que minha rotina está completamente mudada, estou desorientada(o), não sei ficar em casa, não consigo ficar longe das pessoas que amo, dos amigos, mas preciso. Estou escrevendo o que percebo na minha família, pacientes e amigos.

O momento é catastrófico, mas se hoje habitamos essa terra é porque fomos capazes de superar muitas catástrofes, para hoje estarmos existindo, então vamos aprender a lidar com mais essa catástrofe, sabendo que somos capazes de nos superarmos, sim o problema é real, é sério, mas não podemos deixar um vírus tomar o controle das nossas vidas, vamos seguir as orientações das pessoas que estão lutando pelas nossas vidas, e vamos nos redescobrir nessa quarentena e jamais pensar que estamos enclausurados. É preciso acreditar, reinventar e aproveitar este momento, fazendo uma reflexão do que é realmente importante nessa vida.

Procurem voltar no tempo de como nossos antepassados conseguiam viver com tão pouco e ainda assim eram felizes. Um simples bate papo com o marido, que nunca existiu por falta de tempo, reaprender as brincadeiras da infância, falar com os amigos distantes que há muito não se falava por falta de tempo e pela correria do dia a dia. Vou abrir um parênteses para contar algo pessoal; tenho uma amiga que não via e nem sabia onde estava há mais de 17 anos, ela me encontrou semana passada, foi um dos maiores presentes que recebi nesse momento tão difícil, Iveti você me proporcionou uma alegria nesse momento que aqueceu meu coração, quero pedir desculpas por não ter dado a devida atenção a você esta semana, por estar me adaptando à nova realidade e ajudando meus familiares e pacientes a entenderem a nova realidade, prometo que semana que vem vamos passar altas horas recordando tudo que vivenciamos juntas.

Não estamos enclausurados, estamos em quarentena, mas essa quarentena não é porque estamos todos doentes, e sim para não ficarmos doentes ou transmitir a doença para o outro. Então a partir deste momento, vamos começar a combater esse vírus, ele não gosta de pessoas saudáveis, adaptáveis a qualquer realidade e que apesar das adversidades consegue manter seu equilíbrio emocional que é igual a ter imunologia, diferente do pânico, estresse e o medo que diminui a imunidade. Vamos atacar esse vírus, onde ele menos
espera, nos mantendo saudável mental e fisicamente, assim ele não poderá penetrar nesse escudo. Façamos uma corrente de nos manter saudáveis e poder fazer isso sem estar juntos fisicamente, então aproveitamos o máximo de hoje, no que é mais importante para nós.

Não sei se vocês repararam, mas não mencionei o nome do vírus, porque não quero valorizá-lo e enquanto escrevia cada vez que tinha que por acento no vírus me irritava, ele não merece nem acento.

*Carmem Lucia dos Reis Almeida. Psicóloga| CRP 00958-9. Contato 67 3521-3496
E-mail: 
[email protected]
Aline Moura
AEMS

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