PMTL - Abril 2019

Comissão defende amplo debate sobre desmatamento e situação dos rios em Bonito

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Comissão defende amplo debate sobre desmatamento e situação dos rios em Bonito

A degradação ambiental em Bonito, um dos principais destinos do ecoturismo do Brasil, ganha destaque na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS). Em reunião do grupo de trabalho, realizada na tarde desta quinta-feira (11), foi proposto o aprofundamento dos debates sobre o assunto em uma audiência pública na Casa de Leis. Também ficou decidido o envio de requerimento ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para parlamentares da Comissão participarem de audiência, promovida pelo órgão.

Os problemas ambientais em Bonito se relacionam ao avanço acelerado de atividades agropecuárias e a decorrente redução da vegetação nativa da região. Entre as consequências desse cenário, está o turvamento de rios locais, como o da Prata e Formoso. A situação preocupa a Comissão de Meio Ambiente da ALMS. “Precisamos fazer um amplo debate sobre as causas do turvamento dos rios de Bonito e sobre os problemas ambientais de modo geral na região”, considerou o deputado Lucas de Lima (SD), presidente do grupo de trabalho.

Coordenada pelo parlamentar, a reunião desta tarde, realizada no Plenarinho Deputado Nelito Câmara, contou com a presença do Coronel David (PSL) e Jamilson Name (PDT), membros do grupo de trabalho, e do Capitão Contar (PSL), que participou do encontro por presidir a Comissão de Turismo, Indústria e Comércio. Também participaram o diretor-presidente do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Ricardo Eboli, o diretor-executivo do Instituto SOS Pantanal, Felipe Augusto Dias,  e a advogada Giselle Marques de Araújo, pós-doutoranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Universidade Anhanguera-Uniderp.

Como ações imediatas para aprofundar o debate sobre o problema, Lucas de Lima propôs o requerimento de uma audiência pública na Assembleia. Ele considera importante ampliar as discussões e, para isso, sugeriu envio de convite ao senador Nelsinho Trad (PTB) para que participe da audiência que será requerida – o senador tem pautado o assunto em Brasília. Outra sugestão do parlamentar foi o encaminhamento de pedido ao MPMS para a participação de deputados em audiência, que o órgão realizará, no fim deste mês, em Bonito.

A importância do amplo debate também foi enfatizada pelo Capitão Contar. Ele comentou que qualquer discussão sobre questões ambientais diz respeito a diversas áreas. “O meio ambiente envolve turismo, indústria, comércio, segurança, saúde, educação, especificamente, para consciência ecológica, e várias outras áreas. Portanto, é fundamental esse debate”, considerou.

“A conscientização vale muito mais que  qualquer ação”, afirmou o diretor-presidente do Imasul, Ricardo Eboli. Ele salientou que a degradação da natureza é “problema crônico” e ocorre em todo o País. E a causa principal é a falta de consciência ambiental.  “O Estado não consegue ser onipresente na fiscalização. Por isso, os usuários, como é o caso do produtor rural, precisam ter responsabilidade para usar tecnologias que evitam os processos erosivos e outras formas de agressão ao meio ambiente”.

Para o diretor do Instituto SOS Pantanal, é preciso sair da fase de estudo e discussões e partir para ações efetivas. “Já temos vários estudos, que precisam ser conhecidos melhor. Já conseguimos identificar os problemas, a questão agora é agir de fato”, afirmou, sugerindo a criação pelo governo do Estado de um plano que possibilite a implementação de ações que contribuam para solucionar os problemas ambientais em Bonito.

A pesquisadora Giselle Marques apresentou série de sugestões de caráter emergencial, como a publicação de decreto estadual para suspender licenças ambientais para atividades agropecuárias em Bonito e o impedimento temporário de novas áreas de plantio de grãos. Ricardo Eboli respondeu que isso representaria cerceamento também a produtores eficientes, que usam tecnologias não agressivas ao meio ambiente.

O assunto será retomado e aprofundado em outras reuniões da Comissão de Meio Ambiente, como também na audiência que será requerida pelo deputado Lucas de Lima. A data do próximo encontro ainda será marcada.
AEMS - Novembro 2018

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