PMTL - Abril 2019

Tráfico de drogas domina bairro da Capital e deixa moradores reféns do próprio medo

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Reprodução

Tráfico de drogas domina bairro da Capital e deixa moradores reféns do próprio medo

Em uma região onde até mesmo os motoristas de aplicativo se recusam a entrar, o Residencial Celina Jallad carrega o estigma de um local dominado pelo crime em Campo Grande. Para os moradores, o residencial merece a fama que tem. Tráfico de drogas, brigas, mortes e furtos a residências estão entre os relatos de quem ali mora.

Reféns do medo, os moradores se recusam a ser identificados ou fotografados por receio de represálias por parte dos traficantes. Um dos moradores fez a denúncia por meio do canal de comunicação do Jornal Midiamax no WhatsApp, mas não quis receber a reportagem em casa, por medo que os traficantes pudessem saber que ele os havia denunciado.

É um consenso entre os moradores que o bairro foi dominado pelo crime. Segundo eles, o residencial foi corrompido pouco depois do sorteio das casas. Enquanto algumas casas foram abandonadas pelas famílias, o local vazio serviu como uma oportunidade para que traficantes o transformassem em ‘bocas de fumo’.

A insegurança é uma sensação permanente entre os habitantes. Enquanto alguns moradores evitam ficar em frente às suas casas e sair durante a noite, outros já estão quase acostumados com a situação. “Para mim está como sempre esteve, nunca aconteceu nada comigo não. Tem coisa errada por aí, mas o importante é não mexer com eles, cada um cuida de sua vida”, comentou a vendedora de um bar da vizinhança, protegida por uma grade na porta do estabelecimento.

“Aqui eles nos roubam, dominam o bairro com as drogas e ainda atraem crianças e adolescentes para o crime, mas é um beco sem saída. A gente até evita registrar o boletim de ocorrência para não arrumar confusão com eles”, comenta Aline*, que tem um nome fictício para preservação da identidade, assim como as outras fontes da reportagem. Aline comenta que além do tráfico, brigas são frequentes e a pena para as dívidas de droga é a morte.

A aposentada Rose* é outra vítima da criminalidade no residencial. Viúva e sozinha, ela conta que vive ‘de tocaia’ em casa, já que é a única maneira de evitar ser furtada novamente. Diferente dos outros moradores, a aposentada resolveu registrar o boletim de ocorrência para registrar o furto dos eletrodomésticos que tinha em casa.

Para tentar se proteger, os moradores quanto têm condições, investem na segurança da moradia. Enquanto isso, as casas mais simples não têm sequer um muro para proteção e as grades são a alternativa mais barata.

Um sonho que virou pesadelo

“Ter a casa própria era um sonho, só que o sonho se tornou um pesadelo”, comenta a moradora Mônica*. A dona de casa conta que morar no Celina Jallad não foi uma escolha, mas a oportunidade surgiu ao ser sorteada com uma moradia pela Agehab (Agência de Habilitação Popular). Para ela, era comemorar ou recusar o sorteio e assim voltar para o fim da fila depois de mais de 14 anos à espera de uma moradia. A dona de casa conta que assim como muitos dos vizinhos, já teve a casa furtada e assim decidiu colocar grades nas portas, apenas para garantir uma rasa sensação de segurança. “Bandido quando quer entrar, entra. A grade é só uma ilusão, para a gente conseguir dormir”.

Já a dona de casa Célia*, comenta que teme pela educação dos filhos e que se pudesse, iria morar em outro lugar. Célia conta que tem um filho de 14 anos, já corrompido pelo tráfico. “Nesta idade, você sabe como é né? Só tem isso no bairro, ele vê e acha bonito, mesmo eu falando que é errado. Aqui eles não se escondem, a droga é vista à luz do dia e os adolescentes e crianças entram nessa. Já vi muita garotinha de 12 anos usando droga, ficando grávida”.

De acordo com os habitantes do bairro, a presença da polícia não é rara. Os militares aparecem, fazem a ronda, mas a comunicação dos traficantes é mais ágil. “Eles ficam sempre em alerta, se a polícia está chegando, eles já se comunicam e conseguem esconder. Ficam todos fingindo que são gente de família, aí a polícia acha que não está acontecendo nada por aqui”, comenta Mônica.

Moradores precisam denunciar

Ao Jornal Midiamax, a assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que, para ter um planejamento de rondas, é preciso que os moradores denunciem os casos de tráfico à polícia, pois somente assim, ficarão cientes dos bairros que mais precisam de policiamento.

Além disso, a PM esclareceu que, no começo deste ano, os crimes de furtos caíram em 38% na região do Celina Jallad. Confira a nota na íntegra:

“A Polícia Militar (PM) realiza o policiamento ostensivo através de rondas pelo bairro, além de operações policiais específicas de acordo com levantamento estatístico dos números de ocorrências registradas.

Em razão da demanda apresentada por esta solicitação de informação, foi extraído relatório de furtos na região em 2019, do dia 01 de janeiro ao dia 07 de fevereiro, e conforme registros oficiais do estado (SIGO), houve uma redução de 38% deste tipo de crime em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Sendo assim, podemos afirmar que a segurança no bairro está aumentando, desta forma a Polícia Militar tem obtido êxito em reduzir os índices criminais no local, tornando-o cada vez mais seguro.

Esclarecemos que o planejamento da distribuição de efetivo e viatura, bem como do policiamento é feito com bases nos registros de ocorrências, sendo de fundamental importância que as pessoas, independente do valor do bem subtraído, ao serem vítimas de qualquer crime, realizem o registro na delegacia de polícia civil.”
Nico Cabeleireiro

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