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Governo pode vender folha salarial dos servidores por R$ 200 milhões

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Governo pode vender folha salarial  dos servidores por R$ 200 milhões

Com quatro bancos interessados, o governo do Estado tem até o fim do ano para decidir sobre a venda da folha salarial dos servidores, que pode ser negociada por, pelo menos, R$ 200 milhões. Há mais de 20 anos, a folha está a cargo do Banco do Brasil, com valor mensal que gira em torno de R$ 470 milhões. Estariam na disputa pela conta o Banco do Brasil, a Caixa, o Santander e o Bradesco.

O interesse em fazer a portabilidade foi confirmado pelo secretário de governo, Eduardo Riedel. “Esperamos passar as eleições, agora vamos retomar as discussões e temos até o fim do ano para decidir sobre a negociação”, afirmou o secretário, que, no entanto, não falou sobre o montante estimado na negociação nem quais os bancos interessados.

Em fevereiro deste ano, o governador e o secretário estiveram reunidos com a direção do Banco Santander. Na época, além da venda da folha, o governador discutiu com executivos do Santander a carteira de investimentos do banco em Mato Grosso do Sul.

A prática de negociação da folha do funcionalismo é comum na administração pública. No ano passado, por exemplo, o Bradesco pagou R$ 50 milhões para manter-se como gestor da folha do funcionalismo da Prefeitura de Campo Grande. O banco assumiu o serviço depois de adquirir as operações do HSBC no Brasil – que, por sua vez, havia fechado contratos anteriormente com o mesmo objetivo. No entanto, para vender a folha, o governo precisa abrir novo processo licitatório. Isso deve ocorrer até o fim desta gestão, ou seja, até dezembro.

REPERCUSSÃO

As negociações sobre a venda da folha de pagamento pelo governo do Estado no início do ano geraram incerteza entre sindicatos e associações de servidores, que solicitaram posicionamento a respeito do assunto na ocasião. Em resposta, conforme ofício enviado à época ao Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul, a informação é que o contrato entre o Estado e o Banco do Brasil tinha vigência “até o mês de outubro de 2018” e o governo abriria novo certame.

Na oportunidade, as lideranças do Fórum dos Servidores levantaram muitas preocupações sobre o anúncio e pediram abertura de diálogo com o governo, “reiterando que o Banco do Brasil executa a folha há mais de 20 anos e detém um grande número de agências nos municípios do interior o Estado, algo que o Santander não dispõe”.

“Depois daquele posicionamento, em que nos mostramos contrários [à portabilidade], queríamos saber o real motivo da venda, qual o valor negociado e no que o BB estava desagradando, até porque temos pessoas que têm conta nesse banco há mais de 20 anos, não soubemos mais de nada. Estamos ‘no escuro’”, comentou Ricardo Alexandre Bueno, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Seguridade Social (Sintss) e participante do Fórum dos Servidores de MS.

Ainda conforme o dirigente sindical, o pagamento de novembro foi depositado normalmente, o que leva a crer que algum aditivo tenha sido celebrado entre governo e Banco do Brasil. “Chegou, para nós, a informação de que estaria havendo negativação de alguns servidores, e o banco não está liberando o CDC [Crédito Direto ao Consumidor]. Checamos na cooperativa de servidores se o CDC está bloqueado, mas o que nos repassaram é que está tudo normal”, comentou.
Nico Cabeleireiro

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