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Três meses antes de ser atropelada por marido, jovem protestou contra violência sofrida por amiga em Barretos, SP

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Três meses antes de ser atropelada por marido, jovem protestou contra violência sofrida por amiga em Barretos, SP

Três meses antes de ser atropelada pelo marido em Barretos (SP), a jovem Letícia Pierini, de 26 anos, compartilhou nas redes sociais um post de repúdio contra o ataque sofrido por uma das melhores amigas, a secretária Thainá Cristina, esfaqueada pelo ex-namorado.

Thainá ainda se recupera dos ferimentos causados. O suspeito, Evandro Morelli, foi preso no fim de junho e responde por tentativa de homicídio triplamente qualificado.

Já Letícia está internada há uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Barretos. Segundo o irmão da jovem, a moto em que ela estava foi atingida pelo carro do marido, quando ela seguia para a casa da mãe, onde morava há menos de uma semana após ter deixado o companheiro, viciado em drogas.

A secretária afirma que nunca pensou que a amiga pudesse estar na mesma situação. Thainá e Letícia são amigas há 18 anos e as duas costumam conversar por telefone. Um dia antes de sofrer o acidente, Thainá recebeu uma ligação da jovem e percebeu que ela estava um pouco apreensiva.

“A Letícia me ligou para saber como eu estava e eu disse que sentia muitas dores, que estava tomando os remédios, mas melhorando. Ela perguntou se eu estava morando com a minha mãe e percebi que estava querendo perguntar algo, mas acabou não dizendo nada sobre o que estava acontecendo”, diz.

A secretária afirma que ficou arrasada ao saber do acidente e diz que o trauma causado por esse tipo de violência abala a vítima e os familiares.

“Fiquei revoltada, pois ela é uma pessoa muito boa. Até quando isso vai acontecer? Até parece que agredir mulher virou moda. Se as leis no Brasil fossem mais fortes, esse homem já estaria preso.”

Thainá continua a recuperação e ainda sente dores nas quatro costelasfraturadas durante as agressões cometidas pelo ex-namorado. As câmeras de segurança do escritório, onde ela trabalhava, registraram o crime. A jovem foi esfaqueada no pulmão e no estômago.

“A dor maior é na alma, maior do que a dor no corpo. O trauma que fica é o mais difícil”, diz.

Família preocupada

O caso de Letícia foi registrado como lesão corporal culposa, mas o delegado Antônio Alício Simões Júnior o encaminhou para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que deverá tratá-lo como tentativa de feminicídio. A reviravolta ocorreu por causa do depoimento da mãe da jovem, que acusou o genro de homicídio. O suspeito, no entanto, ainda não foi ouvido.

A família de Letícia diz viver momentos de preocupação e apreensão. O irmão dela, Marcos Rogério da Silva Pierini, diz que a vítima tem medo e que não quer ficar sozinha no hospital. Nesta terça-feira (10), ela deve passar por uma cirurgia na mandíbula.

Marcos conta que o cunhado é usuário de cocaína e que Letícia começou a falar sobre o assunto há pouco tempo.

“Ninguém sabia o que acontecia, pois ela escondia que ele era usuário de drogas. No início deste ano, ele começou a usar mais, minha irmã cansou e pediu a separação. Ele não aceitou e fez isso com ela”, afirma.

Por segurança, apenas os familiares estão autorizados a visitar Letícia no hospital. A família espera que o suspeito seja preso. “Estamos vivendo um momento dramático. É revoltante, mas vamos deixar na mão da Justiça.”




Nico Cabeleireiro

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